segunda-feira, 25 de agosto de 2008

A descer nem todos os santos ajudam


Ao pequeno-almoço já não chovia. O cão preto-e-branco sentado nas escadas do restaurante mantinha-se impávido e sereno sentado nas escadas do restaurante que na noite anterior nos proporcionou um jantar inesperado e excelente. Fizemos-lhe festas e tirámos fotografias, mas ele nunca se mexeu. Ultrapassámos a barreira canina e arriscámos uma mesa no alpendre lateral junto ao rio apesar do frio. Afinal havia um aquecedor ligado.

Pão, fiambre, queijo e morcela acompanhados de quatro cappucinos, curiosidade por um esquilo e alguma incredulidade. Será que estaríamos num cenário montado para nosso deslumbre? Se sim, então o dia seguinte reserváva-nos uma superprodução.

Começou a chover. Voltámos e desfizemos o acampamento. A chuva intensificou-se. Equipámos as bicicletas e a chuva aumentava. Não ia parar, mas nós não íamos ficar retidos em Imfeld. A recepção continuava fechada, não havia ninguém a quem pagar. Fazia frio. Decidimos descer até ao desvio para o caminho acidentado da nossa rota. Aí tomaríamos uma decisão. Vestimos os casacos mais ou menos impermeáveis e começámos a descer rápido. Em Binn senti a água gelada entrar nos sapatos de ciclismo e atravessar as meias. Estávamos todos ensopados e gelados. Finalmente chegamos ao túnel! Este pareceu-nos quente, seco e muito mais curto no sentido descendente. Saímos de volta à chuva e frio e mais alguns metros à frente tínhamos de decidir: seguir pelo caminho todo-o-terreno ou pela estrada. Parámos e o bom senso do Hugo imperou. Seguimos pela estrada de regresso a Ernen e daí seguiríamos para Fiesch para tomar o comboio para Zermatt, já planeado para mais tarde em Visp. Em Ernen voltámos a parar para tentar aquecer as mão em vão. Continuámos a descer os 4 km até Fiesch que tínhamos evitado no dia anterior. Finalmente chegámos à estação de comboios totalmente ensopados, gelados e com as roupas nos alforges molhadas. Calcei as meias de merino e as sandálias de dedo e tentei secar alguma roupa no secador de mãos da casa-de-banho enquanto esperávamos pelo comboio. Destino: Zermatt.

Começámos a subir. Na carruagem a restabelecer o conforto. O comboio continuava a subir com a ajuda da cremalheira. Cerca de uma hora e meia depois chegámos. Continuava a chover e voltámos a sentir o frio da montanha. Tínhamos decidido que ficaríamos numa Pousada de Juventude, se conseguíssemos encontrá-la.

Zermatt é uma colónia inesperada da emigração sazonal e permanente portuguesa. O motorista do hotel negociou um preço razoável para os taxis. Carros estranhos, como todos os outros aqui, levaram-nos colina acima até à pousada. As bicicletas seguiam nos tejadilhos em três carros conduzidos por homens que falavam uma língua estranha e familiar. Seria latina? Talvez romeno. Nesta vila-estância de férias de Inverno, o tráfego automóvel é restrito a estes carros estreitos e eléctricos.

A pousada tinha uma sala-de-secagem para os equipamentos dos montanheiros e esquiadores. Montámos aí o estendal da nossa roupa de viagem, na esperança de que no dia seguinte já estivesse seca. A estadia na pousada incluía o jantar, bem servido no self-service e com algumas mimos adicionais. Afinal o pessoal era uma família portuguesa, concerteza.

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